Uma bela reflexão sobre a inveja

Fonte:  Mãe Stella faz uma bela reflexão sobre a inveja. Foto: Diego Mascarenhas / Ag. A TARDE/ 09.07.2010

Maria Stella de Azevedo Santos

A minha função espiritual faz de mim uma intermediária entre o humano e o sagrado e para exercê-la da melhor maneira possível tenho como instrumento o Jogo de Búzios. Pessoas de diferentes idades, raças e até mesmo credos, buscam a ajuda desse oráculo. Surpreende-me o fato de que uma grande parte dos que me procuram sente-se vítimas de inveja.

Engraçado é que nunca, nem um só dia sequer, alguém chegou pedindo-me ajuda para se libertar da inveja que sentia dos outros. Será que só existem invejados? Onde estarão os invejosos? E o pior é quando consulto o oráculo e ele me diz que os problemas apresentados não são decorrentes de inveja, a pessoa fica enfurecida.

Percebo logo que existe ali uma profunda insegurança, que gera uma necessidade de autovalorização. Se isso ocorresse apenas algumas vezes, menos mal, o problema é que esse comportamento é uma constante. Isso me leva a pensar que cada pessoa precisa olhar dentro de si, tentar perceber em que grau a inveja existe dentro dela, para assim buscar controlar e emanar este sentimento, de modo que ela não venha a atuar de maneira prejudicial ao outro, mas principalmente a si, pois qualquer energia que emitimos, reflete primeiro em nós mesmos.

Uma fábula sobre a inveja serve para nossa reflexão: Uma cobra deu para perseguir um vagalume, cuja única atividade era brilhar. Muito trabalho deu o animalzinho brilhante à insistente cobra, que não desistia de seu intento. Já exausto de tanto fugir e sem possuir mais forças o vagalume parou e disse à cobra: – Posso fazer três perguntas? Relutante a cobra respondeu: – Não costumo conversar com quem vou destruir, mas vou abrir um precedente. O vagalume então perguntou: -Pertenço à sua cadeia alimentar?- Não, respondeu a cobra. – Fiz algum mal a você-?- Não, continuou respondendo a cobra.- Então por que me persegue?- perplexo, perguntou o brilhante inseto. A cobra respondeu: – Porque não suporto ver você brilhar, seu brilho me incomoda.

Ingênuas as pessoas que pensam que o brilho do outro tem o poder de ofuscar o seu. Cada um possui seu brilho próprio, que deve estar de acordo com sua função. Existem até pessoas cujas funções requerem simplicidade, onde o brilho natural só é percebido através do reflexo do olhar do outro.

Lembro-me de uma garotinha de apenas 10 anos de idade que a mãe me procurou para ajudá-la, pois ela ficava furiosa quando não tirava nota dez na escola. Comportamento que fazia com que seus coleguinhas se afastassem dela. Algumas tardes eu passei conversando com a garota. Um dia ela chegou me dizendo que não aparesentava mais o referido problema, que até tirou nota dois e não se incomodou.

Fiquei muito feliz, cheguei mesmo a ficar vaidosa, pois acreditei que aquela nova atitude era resultado de nossas conversas. Foi quando ela me disse:- Sabe por que não me incomodei de tirar nota dois, Mãe Stella? Ansiosa, perguntei:- Por que? Ao que ela me respondeu: – Porque o resto da turma tirou nota um. Rimos juntas da minha pretensa sabedoria de conselheira e do natural instinto de vaidade que ela possuía e que muito trabalho teria para domá-lo. O desejo que a garota possuía de brilhar mais do que os outros, com certeza atrairia para ela muitos problemas. Afinal, ela não queria ser sábia, ela queria ser vista.

O caso contado anteriormente fez lembrar-me de outro que eu presenciei, onde uma senhora repleta de ouro insistia em me dizer que as pessoas estavam olhando para ela com inveja. Cansada daquele queixume, disse-lhe que quem não quer ser visto, não se mostra.

A inveja é popularmente conhecida com olho gordo. Se não queremos ser atingidos pelo olho gordo do outro, devemos cuidar para que que nossos olhos emagreçam, não deixando que eles cresçam com o desejo de possuir o alheio. Já que fazemos dieta para nossos corpos serem saudáveis, devemos também fazer dieta para nossos olhos, pois eles refletem a beleza da alma. A tendência agora é, portanto, olhos magrinhos, mas não anoréxicos, pois alguns desejos eles precisam ter, de preferência desejos saudáveis.

Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá

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Sindrome do Pavão, qual o seu grau????

                                         

Conhecemos como pavão aquela ave que poderia até mesmo ser confundida com uma galinha d´angola crescida se não fosse uma particularidade que proporciona-lhe um toque todo especial de ser – uma calda  grande e volumosa que se abre em um leque multicolorido para impressionar os outros de mesma espécie.

Sabemos também que há muito pavões que não são aves, mas, sim, seres humanos. Seria uma reencarnação de uma evolução da ave à forma humana? Não. Não penso assim, apesar de que creio em reencarnação e na evolução dos seres vivos, mas, neste caso em específico, não se trata da questão.

O que estou falando é da vaidade do ser humano que é exagerada de tal forma que cega-lhe às vistas do ridículo e da falta de bom censo. A esse tipo de pessoa digamos que ela carrega consigo a SÍNDROME DE PAVÃO. É fácil enxergá-la, basta conviver com um determinado tipo de pessoa a qual toda hora puxa algum assunto elogiando suas próprias qualidades e ações. Essa pessoa também conversa dessa forma na pretensão de arrancar elogios teus, portanto, se você acaba limitando-se a apenas ouvir, certamente acabará discutindo com ela ou, se você tiver muita paciência, poderá permanecer calado enquanto assistirá  ela perder a calma na sua frente, com a maior facilidade.

A pessoa que tem a SÍNDROME DE PAVÃO reconhece a importância de cada um que faz parte de sua vida. Não se trata de uma ingrata. Porém, pouco elogia e só puxa para si a atenção de fatos em que ela participa – ainda que haja vários conhecidos em comum.

Ela sabe mais, ela tem sempre o melhor consigo, ela sempre apresenta-lhe algo que com certeza você deve gostar… e lembre-se: deve dizer-lhe que gostou muito!, ela vai fazer sugestões sobre coisas tuas ou poderá ficar calada e desabafar, depois, que ela faria melhor de outra maneira. Quando seu ego não está sendo correspondido, normalmente ela passa a criticar qualquer coisa que você faça, contraria tuas colocações acerca de assuntos que sequer interessam a ela própria… e pode, até mesmo, alterar a voz querendo impor-se a você, sem motivos.

Conflitos, discussões e brigas são bem comuns nas pessoas que tem um alto índice da síndrome. Esse comportamento excessivamente vaidoso torna-a prepotente e inconveniente a ponto de torná-la convicta de que sua opinião e sua ação é bem vinda em qualquer lugar, a qualquer hora – o outro deve “engolir” seu conhecimento e sabedoria.

A pessoa não percebe que passou dos limites. Esquece-se de que ninguém pensa igual e que o Sol nasce para todos.

Tudo acaba se tornando bastante ridículo. E ela – que antes era tão interessante quanto você – passa a povoar sua mente de forma desagradável; ainda que tenha qualidades e faça boas ações, a desagradabilidade é o que acaba ficando registrado nos conceitos de quem está em seu caminho.

Em geral, essa síndrome não tem cura. Através de um processo de autoconhecimento pode-se verificar as causas para essa necessidade do ego em mostrar-se de forma tão agressiva e imponente, sendo assim, controlar o comportamento. Mas bani-lo – uma vez instalado e enraizado – não há como.

É como uma doença incurável – como a AIDS, por exemplo – em que pode-se viver muito bem, se tratada. Mas deixe o tempo passar, sem dar-lhe a devida atenção, que muitos estragos virão.

Só quero deixar claro que os pavões a quem citei são pessoas maravilhosas, possuem um nível de inteligência e percepção grandes, são bons comunicadores e são portadores de uma educação que é simplesmente fenomenal de tão boa e atraente, contagiante. São pessoas cheias de qualidade e mostram com facilidade o elevado potencial de que são dotadas. Mas, infelizmente, cegam-se por momentos de egoísmo, glória individual e mostram-se bem mais levianos (no sentido de leve e não de maldade) do que realmente são.

Essa é a SÍNDROME DE PAVÃO. Muita vaidade e pouca atenção.

E todo mundo está sujeito a essa excessiva vontade de exposição.

Abraços a todos.

Fabiano Caldeira.

Fragmento do texto  Síndrome do Pavão

Fonte:http://socializando2009.blogspot.com/2010/12/sindrome-de-pavao.html